A inflação que mede o custo da economia como um todo voltou a recuar em julho. O Índice Geral de Preços — Disponibilidade Interna (IGP-DI) caiu 0,86% no mês, depois de recuar 0,79% em junho, segundo informação divulgada nesta sexta-feira (7) pela Fundação Getulio Vargas. É a segunda queda seguida do índice, e o resultado ficou acima da mediana de mercado, que projetava baixa de 0,95%. No acumulado de 12 meses, o índice chega a 2,77% — abaixo dos 2,91% registrados em julho de 2025.

Para o bolso do brasileiro, a leitura é animadora: pela primeira vez em muito tempo, dois grupos que pesam no orçamento doméstico — alimentação e transportes — lideraram a queda dos preços. É a queda acentuada na indústria extrativa (minério de ferro e bois) e os recuos nos grupos Alimentação e Transportes, dentro do IPC, que explicam o resultado, segundo Matheus Dias, economista do FGV Ibre.

Os números por dentro do índice

O IGP-DI é composto por três índices que medem preços em estágios diferentes da economia:

  • IPA (Índice de Preços ao Produtor Amplo): caiu 1,31% em julho, ante recuo de 1,36% em junho. As matérias-primas brutas recuaram 3,02%, com destaque negativo para minério de ferro (-3,7%) e bois (-3,6%).
  • IPC (Índice de Preços ao Consumidor): registrou queda de 0,08% em julho, ante alta de 0,36% um mês antes. Das oito classes de despesa, seis apresentaram desaceleração.
  • INCC (Índice Nacional de Custo da Construção): subiu 0,61% em julho, ante alta de 0,78% em junho — continua em alta, mas desacelerou.

O índice de difusão — que mede a proporção de itens com alta de preço — caiu a 50,97%, 6,45 pontos percentuais abaixo de junho, indicando que menos produtos e serviços subiram — outro sinal positivo para o consumidor.

Queda nos alimentos é a notícia que o brasileiro queria ouvir

Dentro do IPC, o grupo Alimentação passou de alta de 0,47% em junho para queda de 0,87% em julho. Para o consumidor médio, isso significa que itens da cesta básica — arroz, feijão, carne, frutas, legumes, leite — começaram a refrescar o supermercado. O resultado é parcialmente sazonal (safra) parcialmente reflete desajuste de cadeias, mas confirme a tendência: o segundo semestre pode ser de preços mais amigáveis nas prateleiras.

Para quem tem feito a festa no orçamento com a alta de alimentos nos últimos dois anos — um dos itens que mais corroeu o poder de compra das famílias —,vereiro refrescante de通气、negativity é oportuna. Boa parte dos economistas atribui o recuo à combinação de safra recorde, desindexação de insumos importados (com dólar em baixa) e review de contratos nos supermercados. É cedo para declarar vitória, mas a pressão está mais branda.

Transportes em queda: passagens e combustíveis em alívio

O grupo Transportes também recuou, de alta de 0,10% em junho para queda de 0,29% em julho. Isso inclui passagens de ônibus, voos domésticos e os combustíveis — e pode ser apenas a consequência visível do preço internacional do petróleo, que teve recuos importantes em meio às tentativas de cessar fogo no Oriente Médio. Para as famílias brasileiras, em que o transporte consome entre 15% e 20% do orçamento mensal, qualquer movimento nesse sentido é bem-vindo.

Vestuário e despesas diversas também relaxaram

Outras classes que desaceleraram em julho:

  • Vestuário: passou de queda de 0,52% em junho para queda mais intensa de 1,22% em julho — roupa mais barata.
  • Despesas Diversas: recuaram de alta de 1,30% em junho para queda de 0,03% em julho.
  • Saúde e Cuidados Pessoais: desaceleraram de 0,50% para 0,22%.
  • Comunicação: passou de alta de 0,02% para queda de 0,06%.

Dois grupos, contudo, pressionaram:

  • Educação, Leitura e Recreação: subiu de 0,37% para 1,06% — mensalidades de escolas e cursos podem ter sido reajustadas no semestre.
  • Habitação: acelerou de 0,37% para 0,39%, refindo custos de aluguel, energia e tarifas de água.

O que isso significa para suas finanças pessoais

A queda do IGP-DI, embora seja um índice que não coincide exatamente com o IPCA (oficial, usado como meta de inflação), é um sinal importante de que a inflação está controlada e cedendo. Os impactos para o leitor comum:

  1. Renegociação de contratos indexados ao IGP. Muitos contratos de aluguel, planos de saúde e mensalidades escolares sofrem reajuste pelo IGP-DI ou IGP-M. Com o índice em queda, o aumento tende a ser menor — o que é bom especialmente para inquilimos e clientes de plano de saúde.
  2. Possibilidade de cortes adicionais na Selic. Como o Copom tem considerado o cenário de inflação controlada, as quedas do IGP contribuem para reforçar a expectativa de manutenção do ciclo de corte de juros. Juros menores significam menos custo em financiamentos e cheque especial, mas também menor retorno em renda fixa.
  3. Refresco no supermercado e nos combustíveis. Por mais que os preços repassem aos itens cotidianos, há chance de sentir alívio imediato no caixa.
  4. Oportunidade para investir. Com a inflação de alimentos cedendo, parte da renda que ia para o supermercado pode ser redirecionada à poupança e investimentos. Em ciclo de queda de juros, torna-se especialmente interessante começar a migrar parte do dinheiro da renda fixa para a renda variável (ações e FIIs) que tendem a se valorizar.

O cenário mais amplo: atividade econômica e juros

O IGP-DI não é o único índice a sinalizar alívio. Combinado com a recente queda do IPCA-15 (que mede a inflação cheia com intervalo mensal) e com o próprio Copom cortando a Selic em 0,25 ponto desde o início do ciclo, o cenário para o segundo semestre é de inflação controlada e juros gradualmente mais baixos — o que favorece tanto o consumo quanto o investimento.

No mesmo dia em que a FGV divulgou o índice, o mercado financeiro lidava com outra notícia de impacto: o “payroll” dos EUA mostrou fechamento de 23 mil postos de trabalho em julho, surpresa negativa que reduziu as apostas de alta de juros pelo Federal Reserve e derrubou o dólar (negociado próximo de R$ 5,09). Dólar mais baixo e juros em baixa no exterior tendem a beneficiar o Brasil, e completam o quadro de cenário benigno.

Conclusão: bom momento para revisar seu orçamento

Com a inflação cedendo em alimentos e transportes, juros em queda e o dólar mais baixo, abre-se uma janela para que famílias revisem seu orçamento, planejem gastos e até acelerem investimentos. Não é hora de largar a disciplina — afinal, surprise desaceleram, mas não duram para sempre — mas sim de aproveitar o refresco para fortalecer a reserva de emergência, renegociar contratos indexados ao IGP e estudar novas oportunidades de investimento.

O leitor atento aos índices tem vantagem: sabe quando as contas tendem a ficar mais leves, e prepara o bolso seja para um alívio, seja para uma alta imprevista. A queda do IGP-DI em julho é uma notícia daquelas que valem para o brasileiro comum — não pelos números secos, mas pelo que eles significam em alimentos mais baratos, contas mais leves e um pouco mais de oxigênio no final do mês.